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Ser pai

Atualizado: 13 de dez. de 2021

Quando é confiada a Missão da Paternidade, com ela é concedido por Deus o poder de criar; a autoridade de abençoar; missão de proteger; a obrigação de prover; a de ser o mestre de alguém, mostrar o caminho que conduz ao céu; é o grande chamado de Amor.

Para bem refletir sobre a importância e missão da paternidade vale citar os escritos do Padre Emmanuel de Gilbergues, em sua obra - O Marido, Pai e Apóstolo:

“Quem falará da importância da paternidade? Na ordem da natureza, não há outra mais elevada; fica-se deslumbrado quando se pensa nisto. O poder de criar, de tirar do nada, de fazer do nada alguma coisa; este privilégio sublime, que só pertence a Deus; este poder, que está acima de todos os poderes; este atributo, que é o caráter próprio do soberano Senhor de todas as coisas; este poder de dar a vida, e que acreditávamos incomunicável, foi da vontade de Deus concedê-lo ao homem”.

A importância da paternidade é sempre acompanhada dos deveres do homem no exercício de tão sublime missão, no entanto, muitos homens da atual geração não entenderam sobre a grandeza e gravidade da paternidade.

Sobre a relevância deste chamado, Padre Emmanuel Gilbergues, na obra mencionada acima, escreveu: “A religião não penetraria na alma das crianças, a correção não corrigiria nada, se ambas não fossem apoiadas pelos vossos exemplos (...) «Toma cuidado, diz o Sábio, que a tua vida não seja a causadora da morte de teu filho»”.

De outra parte, enfatiza o autor o exemplo do pai que reza:

“...quando a criança vê seu pai de joelhos, compreende melhor a oração, parece-lhe que há alguma coisa da majestade do próprio Deus que desce sobre a fronte de seu pai. Respeita mais; e quer mais ao mesmo tempo, a seu pai da terra e a seu pai do Céu”.

O Pai é chamado à Autoridade; ao Sacrifício e à Coragem, como bem viveu São Luís Martin, cuja vida cristã levou a sua filha, Santa Terezinha, a dizer: “...bastava ver meu pai rezando para saber como os santos rezam”.

Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, a fonte da paternidade humana é a paternidade divina e “nela se fundamenta a honra devida aos pais” (CIC – 2214). Bem por isso, somente é possível bem compreender o que é ser um pai, quando olhamos para Deus.

É preciso considerar que a autoridade de Deus está acima de todos os homens. Maior será o respeito dos filhos por seus pais, na medida em que for maior o respeito dos pais ao Pai dos Céus.[1] Realmente, “se queremos saber mandar, temos primeiro de saber obedecer, procurando impor-nos mais com o amor do que com o temor”, já dizia São João Bosco, na Circular sobre Castigos, 1.

Diante de tudo isso olho para dentro do meu coração e sei que Deus confiou a mim a paternidade, por isso entendi que, em minha casa, devo ser o último a dormir e o primeiro a levantar; devo certificar se todos estão bem; não posso recuar em face do sacrifício e com esse exercício - unido à Graça de Deus - um dia deixarei um legado para meus filhos.

Não sou outra coisa a não ser Pai. Faço várias outras coisas, mas se perguntarem O que eu sou? Sou Pai.

Um dia desses dias, meu filho mais velho, Bento, em resposta à indagação de uma professora sobre o que ele quer ser quando crescer, disse: “Serei igual a meu pai”. Isso me revela o tamanho e a grandeza de minha missão.

Para encerrar a reflexão sobre este grande Chamado do Homem, cito a conclusão do Padre Emmanuel Gilbergues: “É de vós, ó chefes de família, ó representantes de Deus, ó dispensadores da vida, ó guardas da infância, é de vós, ó pais cristãos que dependem neste mundo, os bens e os males, a virtude e o vício, a grandeza e a decadência, a vida e a morte da família e da sociedade, dos indivíduos e do Estado, da Igreja e da França!".

Que nos seja concedida a graça de Deus para que sigamos o exemplo da Sagrada Família de Nazaré, na qual Jesus foi criado e viveu por trinta anos, antes de iniciar a sua intensa vida pública.




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